Noite de jazz na Virada Cultural de 2011
Avenida Brigadeiro Faria Lima, dia 17 de Abril de 2011. Nesse dia acontecem algumas das atrações da 7ª edição da Virada Cultural no Museu da Casa Brasileira.
Há anos que passo na frente desse museu e me questiono sobre se a casa brasileira realmente se parece com o a fachada do museu – se é que a casa brasileira pode ser definida de alguma maneira -, mas nunca tive a oportunidade de entrar, até esse dia. Sinceramente também não tive muito tempo para reparar nas obras internas do museu, já que quando cheguei já tinha começando a apresentação da Paulistanea Jazz Band. Descrita pelo site do Museu como uma “Banda fundada por Costita e Décimo e experientes músicos de Jazz de São Paulo. Garantia de Jazz de qualidade e muita vibração para a platéia” (http://www.mcb.sp.gov.br/mcbItem.asp?sItem=1666&sMenu=P009).
A Paulistanea deu um show de como se faz um show, e se mostrou como se faz um jazz. Do começo ao fim, foi uma apresentação impecável, de uma banda intercalada entre argentinos e brasileiros. Era perceptível que haveria uma apresentação de peso quando analisados os músicos. Todos já traziam junto com seus cabelos grisalhos uma enorme carga de cultura e experiência, que foram passadas através de notas musicais. Uma banda séria, mas não deixou de ser divertida e harmoniosa em nenhum momento.
Aparentemente podia-se dizer que tínhamos “casa cheia”. O Palco fora montado numa varanda, atrás do prédio do museu – ou da casa – com sua frente virada para as portas que davam para o jardim. A iluminação do show pecou em alguns momentos, se mostrando simples demais, ainda que o talento dos músicos não precisasse de qualquer suporte. Estruturalmente falando, tudo era muito simples, como que no improviso, mesmo. Ao redor do palco foram colocadas várias cadeiras, que foram muito bem utilizadas pela turma da melhor idade – que, diga-se de passagem, era a maioria. Mas, ainda assim, havia muito mais pessoas do que cadeiras, e boa parte delas assistiu de pé. Parafraseando uma amiga, me senti como se tivesse nos anos 20! Uma música que nos lembra àquelas que tocam nos filmes que retratam essa época. Sobre as pessoas, a faixa etária média estimada (por mim) era de 45 anos, porém via-se crianças, alguns jovens e senhores e senhoras já bem vividos. Apesar do clima descontraído e familiar, havia ainda uma certa formalidade, senão no tratamento, nas vestes.
A banda começou pontualmente, o que é algo raro nos dias de hoje. E digo que começou pontualmente porque quem chegou atrasado fui eu e eles já haviam começado a tocar! Com aproximadamente 1h15 de duração, a banda manteve seu estilo. Após isso, meia hora de “intervalo” para que entrasse a próxima atração (ainda que nos folhetos fosse anunciada conjuntamente). Nesse meio tempo pude dar uma volta pelo extenso jardim do museu e apreciar não só sua beleza como o clima de descontração das pessoas sentadas na grama e curtindo a noite quente. Fui procurar onde se vendia uma Coca-Cola lá dentro, mas não achei onde ficava o tal do restaurante do museu, apenas uma tenda improvisada em um canto do jardim, em que se comprava uma ficha no “caixa” e retirava no balcão, que na verdade formavam uma coisa só, dentro de uma mesma tenda. Não havia estrutura para passar cartão de banco, tratava-se apenas com dinheiro Estas foram, a meu ver, dois pontos negativos no evento.
Entrou no palco aproximadamente as 20h a Swiss College Dixie Band, descrita assim pelo site da Virada Cultural: “A paixão de tocar jazz no estilo Dixieland fez com que um grupo de professores suíços radicados no Brasil formasse, em 1975, a Swiss College Dixie Band.” (http://www.viradacultural.org/atracao/793#lugar186). Uma banda que aparentava e exalava alegria e harmonia. Os músicos uniformizados caricaturalmente davam um tom cômico à banda, que por si só já era divertidíssima. Seguiu-se então aproximadamente 1h30 de espetáculo que passaram como um piscar de olhos. É até engraçado de dizer, mas foi um show bem didático, em que o líder da banda, Sergio Bayer Torres, parava ao final de cada música ora para interagir com a platéia e fazer piadas, ora para explicar algo que havia acontecido, qual seria a próxima música e como eles haviam pensado toda a apresentação. A banda não subiu ao palco apenas para tocar e sim para também interpretar. Eram personagens bastante interessantes, representando e interagindo no palco. Era como se assistíssemos uma peça de comédia musicada – mas não um musical! Thomas Fiedles, o cidadão que nos alegrava aos ouvidos com o toque de sua Tuba foi quem mais interagiu de forma direta com o público. Desceu 3 vezes do palco e, a cada vez que o fez, escolheu alguém para ser sua vítima. Colocava a cabeça das pessoas dentro de sua Tuba e tocava desafinadamente, fazendo o público gargalhar um bocado.
No final de sua apresentação, a SCDB chamou a Paulistanea ao palco e todos os membros tocaram juntos. Os mesmos instrumentos das duas bandas tocaram lado a lado, e os pianistas dividiram a banqueta do piano e seu teclado, em uma incrível finalização de noite!
Saldo total: Dois grandes shows de jazz para aqueles que apreciam a música e uma apresentação mais do que interativa e divertida para as crianças e quem não teve a oportunidade de entrar em contato com esse gênero musical. Poder, através da Virada Cultural, proporcionar isso às pessoas gratuitamente é uma maravilha. É um show de cultura!
Segue agora alguns vídeos que fiz no Museu da Casa Brasileira, para vocês terem uma palhinha de como foi a noite e verem a ilustração de todo esse texto.
Trecho de aproximadamente 1 minuto da apresentação da Paulistanea Jazz Band
Trecho de aproximadamente 2 minutos da apresentação da Swiss College Dixie Band
Thomas Fiedler sai com sua Tuba para fazer mais uma vítima
Swiss College Dixie Band e Paulistanea Jazz Band juntas no palco
Até Mais!


02/05/2011 às 16:53
Oi François
Voce anda sumido de casa agora eu já entendi tudo!!!
Safadinho nem pra convidar né?
Olha fiquei com água na boca do seu programa, eu conheci o Hector Costita e sempre adorei o jazz que ele faz, por um período ele tocava ou comandava uma boate no Hotel Renaissence, não sei se essa boate ainda esta lá.
Vê se aparece.
Saudade de todos aqui.
Marianne